Falando como artista e criador de conteúdo, uma das maiores maldições para alguém da área é quando a inspiração nos escapa, seja por falta de experiência na vida ou dramas internos. Às vezes, precisamos de um rápido retiro para colocar as peças no lugar e encontrar aquele chamado necessário para a criação.
Em On Your Tail, uma jovem cabrita sai em uma pequena odisseia para encontrar sua própria chama de arte, mas acaba entrando em uma teia de mistérios e peripécias, tudo em uma pequena cidade na Itália. Pegue sua Vespa e venha comigo, podemos conversar no caminho.
No entanto, as coisas não são tão simples quanto parecem: apesar de a vila estar cheia de personagens amigáveis, uma série de furtos causada por um ladrão misterioso assola a paz do lugar. Então, Diana vê isso como seu chamado e parte para solucionar esse caso, ao mesmo tempo em que o usa como inspiração para sua trama.
Entre causos e mistérios
On Your Tail conta com uma direção de arte muito carismática, criando um mundo de animais antropomórficos com visuais fofos e legais, além de bastante expressivos sejam por suas reações nos balões de diálogos (bastante semelhante do estilo anime) ou até mesmo no jogo, com o rosto de Diana reagindo conforme as ações que toma. É tudo muito charmoso e combina bastante com a beleza dos gráficos cartunescos da aventura, que contém uma história bastante divertida e seus mistérios envolventes.Diana pode andar, correr (e bem rápido, por ser uma cabrita) e interagir com o mundo ao seu redor, seja encontrando pistas do mistério principal, conversando com os inúmeros NPCs ou passando tempo no retiro paradisíaco com minigames, tudo bem legal e intuitivo. Para solucionar os casos que encontra, nossa protagonista está armada com um objeto chamado cronolente, uma espécie de bússola-lupa que herdou de sua avó. Com ela, Diana pode remontar eventos recentes para entender onde certo objeto foi parar ou como uma ação foi feita.
Exemplo: logo no começo, Diana encontra uma jovem olhando para o horizonte, sem saber onde estão as chaves de seu carro e não entendendo como seu mapa foi parar no galho de uma árvore. Usando o objeto e lógica básica, Diana entende que houve um vento forte que soprou o mapa para a árvore e fez as chaves caírem dentro da bolsa da moça. São pequenas deduções que dão enorme satisfação, semelhantes aos sentimentos de jogos como da série Ace Attorney.
Mamma Mia!
Além de sua apresentação charmosa, outro ponto bastante legal está em como suas ideias são apresentadas, sendo cartas com descrições, que são usadas tanto para serem colocadas na ordem dos eventos quando se está investigando um caso ou colecioná-las em seu álbum. São muitas cartas e coletá-las é bastante viciante. Ajuda ainda mais que o jogo está totalmente traduzido para o português brasileiro, com pequeníssimos erros de tradução (alguns que até atrapalham na progressão de puzzles, mas, como disse, pequeníssimos).Porém, falando de erros, infelizmente o jogo comete um erro bem grave: sua performance, no momento da análise, é atroz. O tempo de carregamento inicial é insultante e demora até mesmo para cruzar pequenas regiões da cidade ou nos diálogos. Se você for impaciente e apertar o botão para pular o diálogo, o perfil do personagem pode não aparecer e terá que esperar bons segundos até conseguir prosseguir. Um erro brutal quando consideramos que este é um jogo no qual o fluxo de ideias precisa ser constante, podendo ser afetado também por frases desconectadas ou fora de ordem de certos personagens, quando interagidos após certas ações.
Pior ainda é quando o jogo não consegue carregar as texturas do ambiente ou simplesmente crasha logo depois de uma descrição, aí dá-lhe repetir todo o tempo de carregamento. O jogo não carregava também o nome de certos itens, apenas disponibilizando quadrados no lugar do nome ou até mesmo não atualizando as quests. Além disso, a câmera pode ser irritante de controlar, não importa o quanto você mude a distância dela, parece que não é o bastante para enquadrar tudo na tela.
Apesar do erro atroz de performance, não posso dizer que não me diverti com On Your Tail. É uma aventura em que é perceptível o carinho colocado na construção de mundo e narrativa, seja por seu ambiente confortável, personagens carismáticos, jogabilidade agradável e intuitiva ou por suas músicas legais.
Espero que o time de desenvolvimento possa consertar logo esses pequenos empecilhos porque quando o jogo parece bonito, é como se estivéssemos mesmo em uma viagem de férias ou, no caso de artistas, um retiro para criar arte.
Prós
- Diana é uma protagonista bastante interessante e os NPCs são muito carismáticos;
- Mundo vivo e divertido de explorar, Mamma Mia!;
- História cativante, com mistério central intrigante e missões extras intuitivas;
- Sistema de cartas charmoso, tanto para colecionáveis quanto para investigações;
- Muito bem traduzido em português brasileiro;
- Visualmente bonito.
Contras
- Alguns erros de tradução;
- Câmera temperamental;
- Certos diálogos podem conter discrepâncias com eventos já ocorridos no jogo;
- Problemas atrozes de performance, resultando em crashes e texturas mal renderizadas.
On Your Tail — PC/Switch — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Humble Games