Se alguém manda, você obedece
O game tenta fisgar a atenção do jogador através de uma trama envolta em mistério. Ao acordar em um quarto de hotel, o personagem é recepcionado por robôs humanoides que o mantêm em uma rotina de acordar, descer para o restaurante e voltar ao quarto. Há alguns detalhes que vão mudando com o avançar da jogatina, além de situações sem explicação que tentam deixar o jogador na curiosidade.
Bom dia, humano. |
Eis que temos os primeiros problemas de The Spectrum Retreat. Muito dessa primeira parte do jogo se resume em andar por longos corredores em que nada acontece, ou não há o que ver. As andanças são incentivadas pela voz, que não dá qualquer explicação do porquê obedecê-la, mas mesmo assim o protagonista, sem dizer uma palavra, segue-a sem questionamentos.
Basicamente, uma voz manda e você obedece, sem motivação. E as tarefas são simplesmente passar de um ponto a outro, para então ir a um terceiro local. Felizmente, o jogo muda radicalmente quando são introduzidas as mecânicas de quebra-cabeças.
Brincando com cores
Depois de tanto andar para um lado e para outro, a voz misteriosa levará o jogador ao ponto principal de The Spectrum Retreat: as fases de quebra-cabeças, que tem uma estrutura parecida com a de Portal (Multi), da Valve. São várias salas nas quais o objetivo é solucionar um quebra-cabeça para, então, alcançar a próxima sala, que traz um novo puzzle no mesmo estilo, porém um pouco mais difícil.
Em The Spectrum Retreat, os desafios são propostos em cores. Ao interagir com um bloco colorido, o jogador “captura” sua cor, substituindo-a pela cor que possuir no momento (por padrão, em cada nível o protagonista inicia com a cor branca). A cada interação com um bloco, passagens com as cores correspondentes (seja a que fica com o jogador, seja a que passa para o bloco) se abrem ou se fecham, permitindo ou impedindo a progressão por elas.
Antes da interação: bloco vermelho, celular branco e parede de trás impede a passagem do jogador. |
Depois da interação: bloco e celular trocam de cor, enquanto a parede agora permite a passagem. |
O resultado dessa troca constante nas mecânicas faz com que o ritmo do jogo seja quebrado constantemente, de forma que o jogador não se sente conectado em nenhum momento com qualquer um dos estilos. O pior de tudo é que nenhum deles, isoladamente, oferece atrativos suficientes para que o jogo seja desfrutado por muito tempo.
Enquanto em uma parte tudo que se tem para fazer é andar de um lado para outro, acompanhando uma história sem sal, em outro estamos em um ambiente que não se conecta de nenhuma forma com a outra parte, mas que também não traz variações em suas mecânicas o suficiente para prender aquele que, desavisadamente, tentar apreciar The Spectrum Retreat.
Quebra-cabeças solucionados, é hora de andar por longos e monótonos corredores. |
Prós
- Os quebra-cabeças são inovadores e instigam nos primeiros momentos.
Contras
- Dois tipos de jogabilidade diferentes e que não se conectam;
- História lenta e sem sentido em alguns pontos;
- Cansativo por apenas andar por corredores extensos.
The Spectrum Retreat — PS4 / XBO / PC / Switch — Nota: 4.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Rutes Henning
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ripstone